domingo, 4 de março de 2012

Noite longa.

Noite longa,
Quando a perna bambeia, o coração dispara, o ar te falta..
Quando a garganta vibra, os dedos não tolem, os olhos se encontram.
E a lua me fazia acreditar que aquilo não era tão novo assim.
Queria poder, de ouvidos, deitar sobre ti numa mistura de carinho desconhecido e intimidade sórdida.
Que aquele lugar não podia abrigar nem metade das almas que o meu corpo possui.
Aflita e desgraçada, temendo o movimento rarefeito da ponta dos dedos,
Que sonhavam em tocar a pele branca coberta por uma película de cautela.
E quando o relógio aceitou a sugestão da lua, as pontas de cada canto meu, desenfreadas faziam de mim,
De ti,
Algo incomum, palpável, sutil..
E o meu canto, ausente, queria ouvir.
Ela me olhava com aquela certeza de ser,
E uma rapidez na vontade,
De sempre querer ser mais e cada vez mais sendo,
E eu menos me olhando.
Quis alcança-la pra contar o que eu nada era.
Corri, sedenta, tropeçando em mim..
Me enrolando nos teus cadarços,
Emparelhando passos.. tentando.
Quando dei por nós, estávamos caminhando, lento e veloz..
Lado a lado, o que importa.
Quando quis morder a boca pra calar tudo que já havia derramado sobre a nossa mesa de bar,
Olhei pra o meu pedaço retraído e achei o teu já dentro da minha..
..Boca.
O que de mais bonito ela tinha.
Fazendo de tudo que nos era saliva ser o antídoto na nossa não amizade.
E que os nossos ombros não fossem destino pros olhos marejados,
E sim atalho pros seios.
Que as nossas pernas não fossem parceiras de trilha, mas parceiras de dança.
Só ali, naquele momento, entre toda aquela verdade da lua e a mentira do chão,
Que eu já nem acreditava, já que as minhas pernas, dentro mim, estavam sobre as suas,
E naquilo eu acreditava.
Acreditei naquela noite, gigante em seus aspectos mais profundos e na ferocidade dos nossos dentes..
Que sabiam a hora de serem canibais,
A hora de trincados, permitirem o ar que entre sai quando o que é gostoso é notado. Eu notei.
Eles souberam a hora exata de transformar os nossos sorrisos em gargalhadas,
Internas, rubras, quentes ou suaves. Tudo na hora certa.
A lua se despediu de nós, confiante de si, orgulhosa.
Dever cumprido.
Quando o sol toma conta de toda a nossa cena do crime espalhada pelo chão,
Ele nos mostra a hora de partir.
E partida por dentro. Em micropedacinhos. Te mostro com calma quem eu quero ser,
Que como disse, nada sou.
E fui, pra ser alguém melhor e da próxima vez, a cada copo que enchermos, eu mudar de opinião.
Jamais seremos as mesmas,
Isso faz de nós,
Eternas.

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