segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Secamos em pó.


Eu já escorregava na madeira. 
Poeira e brisa entra à janela.
Mordia a folha seca sob o travesseiro. 
Tirava a roupa numa tentativa de cobrir com a mesma o colchão que já cinza desenhávamos com os dedos como em para-brisas.  
E nem nas roupas nós cabíamos mais.. 
Foram-se os diálogos de uma noite inteira
Que o que me disse entrou por um ouvido e ecoava na cabeça enquanto ouvia o "reco-reco" daquele estrado muito velho,
O "chic-chic" dos pedriscos entre minha e tua barriga,
Os "uuu's" da ventania que na vizinhança confortavam boas noites de sono. 
Aqui dentro gelava o suor que escorria os membros, secava a língua tão exposta à essa sujeira.. 
E eu dançava com ela seca que trepidava pelas canelas cor de barro, joelho, coxas, virilha, em pó. 
Outra música começava quando o "crec-crec" do outono denunciava alguém lá fora, pisando as folhas, chegando tarde. 
E o pulmão, por ora, falecia.
A garganta arranhava, os olhos ardiam, a língua esturricada. 
Dividíamos as mãos, de fluidos entre os dedos, lambíamos sem fim. 
Era sede, tesão.. era gozo. 
E quem diria que a tua tão singela beleza permitiria você estirada ao chão, enrolada num plástico bolha, tossindo e gemendo em meio aos nossos espasmos finais. 
Eu fiquei de pé, te olhava tão de cima e você de baixo tão superior. 
Tão linda, tão marrom, tão marcada.. 
Meus dedos do pé tremiam involuntários e você engatinhava até o meu tornozelo, mordia tão leve e afiados dentes.. 
Com os seios frios, encosto a sola em teu colo e te levo ao chão novamente. 
De joelhos caio num rendimento, tão forte que os meus cabelos cobrem-me o rosto e eu deito ao teu lado no "tec-tec" das bolhas. 
Eu só queria um café, um cigarro, uma foto em sépia.. 
Um chiclete de canela. 
Língua na língua. 
Salivamos de novo.

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